Desde Freud, a constituição psíquica do sujeito se dá a partir do apoio pulsional no soma, ou seja, o nascimento de uma zona erógena apoiada em uma necessidade fisiológica.

Dessa forma, as experiências vivenciadas pelo bebê, sejam elas de prazer ou desprazer, deixam impressões sensoriais e afetivas, formando assim os traços, memórias e representações psíquicas, todos constitutivos do aparelho psíquico.

Assim se dá a passagem do corpo biológico para o corpo erógeno, o caminho pulsional desde o soma até o pensamento, da necessidade ao desejo. 

Esse processo de integração se dá na relação com o objeto.

A vida psíquica do bebê começa com a experiência de fusão com a mãe. 

Progressivamente, mãe e filho vão se diferenciando, de tal modo que a criança separa seu próprio corpo do corpo da mãe e, paralelamente, o que é psíquico vai se diferenciando do que é somático na mente da criança. 

Qualquer fracasso nesse processo compromete a possibilidade de a criança integrar e reconhecer, como seus, o seu corpo, seus pensamentos e seus afetos.

Isso pode ser notado nos sujeitos que se apresentam à clínica psicanalítica com intenso sofrimento por não aceitarem o próprio corpo ou não se reconhecerem nele. 

Casos como anorexia, obesidade, busca desenfreada pelo corpo perfeito podem ser situações que demonstram uma distorção da imagem corporal ou sensação de inadequação. 

Nos casos de distorção da imagem corporal, percebemos que recursos médicos, estéticos ou até mesmo intervenções cirúrgicas nem sempre dão conta de aplacar o sofrimento,e, por esse motivo, são encaminhados para terapia ou análise.


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