O entendimento atual das relações entre mente e corpo, revelando conexões e redes associativas no sistema nervoso e sua interação com todo o organismo, oferece novos insights para compreender nossa natureza psicossomática.
A constituição do Eu ocorre a partir do desenvolvimento e entrelaçamento de processos neurais em diversas regiões do encéfalo e do corpo, em associação com as experiências emocionais e relacionais vivenciadas ao longo da vida.
Os sintomas que se manifestam no corpo físico refletem essa dinâmica complexa.
Ao considerarmos a fragmentação dos aspectos subjetivos que compõem os indivíduos, suas dores e sintomas, torna-se fundamental avaliar formas e recursos que possibilitem uma comunicação clara e acessível, capaz de compreender a linguagem do corpo que clama por cuidado.
Se o sintoma se apresenta como um apelo, é certo que a biologia se articula com nossas vivências e memórias, independentemente de nossa consciência desses processos.
Os sistemas orgânicos estão interligados, intricados, comunicando-se, estimulando-se ou inibindo-se sem que tenhamos pleno conhecimento disso.
O corpo biológico não é estático frente às experiências vividas.
Ele está em constante movimento e transformação, carregando nossa singularidade e expressando, de algum modo, o que não pode ser verbalizado.

Não há vida mental ou psíquica sem concomitantes atividades biológicas, físicas e químicas, que se desenvolvem e se manifestam de forma absolutamente única em cada indivíduo.
A contemporaneidade, com seus aspectos sociais e culturais, influencia a compreensão do adoecer e a forma como a doença é percebida pela sociedade.
As “vozes do corpo” surgem como a única via de expressão da dor ou angústia presentes e relacionados à queixa.
O sintoma é um apelo sem linguagem, um grito ou gesto.
As manifestações psicossomáticas podem ser tentativas de resolução ou “cura psíquica” quando os conflitos, dores e sofrimentos não foram ou não puderam ser expressos.
No encontro com os pacientes, há a possibilidade de criação e recriação da história psíquica, que pode ser transformada e ressignificada, liberando o corpo das tentativas incessantes de reconciliar-se com a dor psíquica (McDOUGALL, 2000a).

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