A compreensão dos processos mentais sob uma perspectiva biológica oferece insights valiosos da nova ciência da mente, permitindo explorar conexões entre filosofia, psicologia, ciências sociais, humanidades e o estudo dos transtornos mentais.
Podemos afirmar que mente e cérebro são integrados e interdependentes.
Os processos mentais influenciam a plasticidade cerebral em diversos níveis, como celular, molecular e em circuitos neurais.
Por exemplo, é possível identificar um circuito neural complexo que se torna desregulado nos transtornos depressivos.
Técnicas como o escaneamento cerebral permitem localizar diferentes componentes desse circuito, sendo dois deles especialmente relevantes.
Um deles é a Área 25, também chamada de região cingulada subcalosa ou cingulado subgenual, que regula nossas respostas autonômicas e motoras ao estresse emocional;
Outra área fundamental é a ínsula anterior direita, que se ativa durante tarefas relacionadas à autoconsciência e à experiência interpessoal.
Essas duas regiões conectam-se a outras áreas importantes do cérebro, todas potencialmente afetadas na depressão.
Em um estudo recente com pessoas depressivas, Mayberg aplicou terapia cognitivo-comportamental ou medicamentos antidepressivos. Ela descobriu que:
Mayberg conseguiu prever a resposta individual aos tratamentos específicos para depressão com base na atividade de linha de base na ínsula anterior direita. Embora ainda seja necessário investigar o que causa essa atividade diferencial, os resultados revelam aspectos importantes sobre os transtornos mentais.
Além disso, a psicoterapia é um tratamento biológico, uma terapia cerebral que provoca mudanças físicas detectáveis por meio de imagens cerebrais.
A separação entre corpo e mente, onde a mente é vista como uma entidade imaterial, representa um grande obstáculo para compreender a psicologia.
Essa dissociação é uma das razões pelas quais muitas pessoas não entendem como intervenções psicológicas, como a psicoterapia, podem promover mudanças concretas.
Elas podem — e promovem. Trabalhar a mente é trabalhar o cérebro, pois as emoções estão enraizadas no corpo.
Embora muitos vejam as emoções como abstrações ou algo “solto no ar”, elas têm uma base concreta e real.

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