A nossa psique é moldada pela nossa fisiologia de uma maneira indissociável.
Tudo o que verificamos na psique possui um correspondente análogo no corpo.
A ideia é incluir o corpo (posturas, padrões de respiração, tensões, sensações) em um trabalho terapêutico de compreender e cuidar do sofrimento humano.
Não se trata de abandonar a palavra e ir para o corpo, mas de tratá-los como o que de fato são: o mesmo fenômeno com duas expressões distintas. Trabalhar com o sistema muscular, informacional e nervoso sem abandonar a análise da psicodinâmica e das defesas
Isso nos permite acessar não só as nossas memórias declarativas (lembranças dos fatos que você consegue contar, organizar no tempo e espaço), mas também as nossas memórias implícitas, somáticas – aquelas associadas à maneira como o corpo registra suas vivências, guarda suas marcas, memórias que começamos a ter desde o útero, anteriores à nossa capacidade de declarar aquilo que sabemos sobre nós mesmos.
A neurociência (que, através da neuroimagem, tem aferido cientificamente os resíduos dos traumas na nossa biologia) vem comprovando que nossa experiência fisiológica (e, portanto, corporal) organiza a nossa experiência psicológica.
O corpo fala mais do que mil palavras e tem uma sabedoria imensa, que hoje podemos conhecer e usar em nosso favor.
Se os traumas vivenciados durante o nosso desenvolvimento trazem distorções para o funcionamento do corpo e do cérebro, comprometendo a nossa capacidade ter prazer, criar laços, e nos sentirmos seguros, trabalhar o corpo oferece formas potentes de restaurar essa neurobiologia disfuncional, ajudando a mudar a lente através da qual ele percebe, entende e interpreta o mundo.
O homem é animal racional, é instinto e razão ao mesmo tempo. Separar fisiologia e psicologia é perder uma parte fundamental da compreensão do fenômeno humano – e, consequentemente, perder uma parte potencial do cuidado das suas dores.

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